MAMBEMBE
No palco, na praça, no circo, num banco de jardim
No palco, na praça, no circo, num banco de jardim
Correndo no escuro, pichado no muro
Você vai saber de mim
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte
CantandoPor baixo da terra
CantandoNa boca do povo
CantandoMendigo, malandro, muleque, mulambo bem ou mal
CantandoEscravo fugido, um louco varrido
Vou fazer meu festival
Mambembe, cigano
Debaixo da ponte
CantandoPor baixo da terra
CantandoNa boca do povo
CantandoPoeta, palhaço, pirata, corisco, feirante judeu
CantandoDormindo na estrada, no nada, no nada
E esse mundo é todo meuMambembe, cigano
Debaixo da ponte
CantandoPor baixo da terra
CantandoNa boca do povoCantando
(Chico Buarque)
"Coro das pessoas do povo
Aquela gente, de surpresa
Aqui na terra amanheceu!
E ninguém sabe com certeza
Como foi que ela apareceu!
CORO — São ciganos!
OUTROS — São artistas!
UNS — São ciganos!
OUTROS — Não insistas!
UNS — São ciganos!
OUTROS — Não há tal!
Com certeza é pessoal
Teatral!
CORO — Com certeza é pessoal
Teatral!
OS ARTISTAS (Entre si.)
— Aquela gente não se aproxima..."
(Chico Buarque)
"Coro das pessoas do povo
Aquela gente, de surpresa
Aqui na terra amanheceu!
E ninguém sabe com certeza
Como foi que ela apareceu!
CORO — São ciganos!
OUTROS — São artistas!
UNS — São ciganos!
OUTROS — Não insistas!
UNS — São ciganos!
OUTROS — Não há tal!
Com certeza é pessoal
Teatral!
CORO — Com certeza é pessoal
Teatral!
OS ARTISTAS (Entre si.)
— Aquela gente não se aproxima..."






ubem Fonseca procuram escapar às exigências excludentes do modernismo, refuncionalizando a tradição, respectivamente, das culturas portuguesa e brasileira. Reciclando a memória cultural, esses textos cenarizam a cidade patchworkcom sua polifonia, sua mistura de estilos, captados por olhares que colhem a multiplicidade de signos, na busca de decifrar o urbano lisboeta e carioca, que se situam, ambos, no limite extremo e poroso entre ficção e realidade. Conjugando fotogramas, vozes e grafias, os textos revelam a cidade enquanto o lugar de inscrição e rasura dos signos cuja legibilidade seduz e desafia o olhar do leitor, ao mesmo tempo que indicam serem cidades não apenas produtos da memória ou do desejo, como muitas das cidades invisíveis de Italo Calvino; são objetos complexos que incluem a realidade e sua descrição: cidades que se confundem com as palavras, as imagens e as vozes usadas para descrevê-las. A operação poética que (re)inventa, que dá a ver essas cidades, é levada, entretanto, até certo ponto; caso contrário, obter-se-iam cidades verossímeis demais para serem verdadeiras” (Renato Cordeiro Gomes)